POR Bruno Victor Toranzo
A queda do ministro da economia argentino é um bom demonstrativo do período de instabilidade dos nossos vizinhos. Mergulhada em uma inflação acima de 20% ao ano, número contestado pelo próprio governo, a Argentina está, sem dúvida, em caminho tortuoso.
E a própria presidente sabe muito bem disso. Cristina Kirchner conseguiu se eleger com facilidade. Não por mérito próprio. Ela simplesmente aproveitou a popularidade de seu marido. Néstor Kirchner assumiu o comando do país, em meio à instabilidade geral, no ano de 2003. O seu maior feito, claro, foi tirar os argentinos do buraco.
A economia argentina, desde então, cresce em ritmo chinês. Sua capital, Buenos Aires, parece um canteiro de obras. O bairro de Puerto Madero é um bom exemplo. Essa região foi toda revitalizada e virou uma das principais atrações da capital. Além de ser um lugar turístico, já virou um importante centro comercial. Os edifícios moderníssimos se encontram por lá. Por falar nisso, o metro quadrado se tornou um dos mais caros do país.
Apesar da aparente pujança econômica, os argentinos estão tendo de conviver com uma inflação, no mínimo, preocupante. Como citado no primeiro parágrafo, o índice não-oficial chega aos 25%. Digo não-oficial, porque o do governo não merece credibilidade alguma. Isso porque aponta para taxa de um dígito apenas, muito longe da realidade.
Uma das razões, assim como no Brasil, deve-se à impossibilidade da produção seguir o aumento do consumo. As pessoas estão consumindo em maior quantidade do que a capacidade das empresas de produção. Os gastos públicos são apontados como outro importante motivo.
O governo argentino diz que não vai sacrificar o crescimento para reduzir a inflação. O aumento dos juros representaria uma diminuição de praticamente 2% na expectativa de crescimento para esse ano, chegando ao patamar parecido do Brasil, por volta dos 5%.
Vivemos dilema parecido. O Banco Central optou pelo aumento dos juros. Competente opção. A inflação é uma praga que pode arrasar a futura colheita do desenvolvimento.