POR Bruno Victor Toranzo
Somos surpreendidos pela violência diariamente. A criatividade dos crimes impressiona. O "pudor" virou sentimento desprovido de significado. Maldade. Perversidade. Crueldade. Esse trio domina a cena.
Claro que assassinatos sempre ocorreram. O ato de matar, seja lá por qual motivo, é considerado recurso para alguns. O grande problema é que está em vigência uma grande deturpação dos valores humanos. Além de não haver motivo para matar, a não ser o próprio prazer, conceitos considerados sagrados no passado, como a idéia de família, estão se perdendo, sumindo gradualmente. Tudo isso começa no importante período que compreende a infância e adolescência.
Uma pesquisa, realizada no Reino Unido, apontou que mais de 20% dos jovens britânicos entrevistados chegam a se autoflagelar, como forma de aliviar o estresse e amenizar os efeitos da depressão. Um exemplo do reflexo desses distúrbios sentimentais está em jovens invadindo universidades para atirar em seus colegas de classe. Ocorrido muito freqüente nos Estados Unidos.
O pior deles aconteceu, no ano passado, na Universidade de Virginia Tech. Um estudante sul-coreano matou trinta e dois alunos a tiros, antes de cometer suicídio. A dificuldade de relacionamento do jovem asiático com os outros alunos foi a maior motivação para o crime.
A sociedade americana é a mais rica, influenciadora das demais, e, ao mesmo tempo, extremamente adoecida. Não uso a palavra “doente” de forma pejorativa para desmerecer os americanos. Todos nos encontramos na mesma situação.
Apesar de termos à disposição facilidades tecnológicas e muito dinheiro em circulação pelas praças financeiras, não sabemos utilizar nada disso para o bem geral. Talvez, como defendido pela minoria, a tecnologia e o dinheiro sejam os grandes fatores de todo desvio. Não vou entrar nessa discussão. Essa é a maneira pela qual as sociedades se organizam. Temos de encarar essa estrutura e utilizá-la da melhor forma possível.
Depois do covarde assassinato da menina Isabella, outra notícia invadiu a mídia. Um pai austríaco prendeu a filha por 24 anos no porão de casa. Ela servia como escrava sexual e engravidou sete vezes do próprio pai. Alguns de seus filhos nunca saíram do porão. Eles cresceram sem ao menos ver a luz do sol. A mãe, mesmo morando no mesmo teto, pensou, durante todos esses anos, que a filha havia fugido.
Não dá para entender. A mente humana é um mistério. Algumas pessoas são capazes de atos horríveis. A grande dúvida fica por conta da influência da maneira como vivemos no universo mental das pessoas. Esses fatores modernos, destacando a pressão constante por resultados e a necessidade de adequação ao meio, poderiam potencializar a perversidade das pessoas?
Não existe resposta exata para essa pergunta. Ao mesmo tempo, também é impossível saber para onde caminhamos. Caso consideremos os diversos tristes exemplos lembrados, o futuro não nos reserva tranqüilidade. O que tenho certeza e posso afirmar é que existe algo errado. Não é normal um pai engravidar a filha, uma menina morrer surrada e um jovem atirar em seus companheiros de universidade. Estamos, sim, todos nós, alguns em maior grau, outros em menor, doentes com os efeitos da modernidade.
Caso do incesto austríaco:
http://www.nytimes.com/2008/04/29/world/europe/29austria.html?ref=world
Pesquisa com os jovens britânicos:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u395574.shtml
O crime da menina Isabella:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u396671.shtml