Jornalistas: Por que não conversar sobre ética?
POR Bruno Victor Toranzo
O jornalista Eugênio Bucci discute os meandros da profissão, com linguagem fácil e atraente, no livro “Sobre Ética e Imprensa”. Através de uma análise minuciosa da imprensa, o ex-presidente da Radiobrás, agência que opera as emissoras de rádio e televisão ligadas ao governo federal, evidencia os pecados e vícios comuns da atividade jornalística.
Esse conhecimento aprofundado da imprensa é de interesse da sociedade. O jornalismo só funciona se existir verdadeira interação entre os profissionais da área e a população. Aliás, a função de nós, jornalistas, é fiscalizar quem quer que seja, buscando sempre um ambiente de interação social mais justo e equilibrado.
Tal transparência costuma ser esquecida. É justamente nesse esquecimento que reside um dos principais pontos da obra. Bucci relembra a clássica divisão entre Igreja e Estado nas relações entre o campo publicitário e o universo jornalístico. Quando analisados somente do ponto de vista teórico, esses dois objetos são facilmente diferenciados. Porém, na vida real, não é bem assim que funciona.
O maior pecado de um veículo de comunicação é não separar essas duas áreas. A exemplo dos países modernos, com exceção de alguns orientais, os veículos devem se manter laicos. A credibilidade do veículo e a conseqüente fidelidade do leitor estão relacionadas com essa divisão bem clara. Sem interferência da publicidade no conteúdo jornalístico, o veículo sai ganhando até mesmo com o aumento das propagandas. Uma empresa só vinculará sua imagem se o veículo apresentar conceituado grau de respeitabilidade.
Outro ponto interessante da obra está nos princípios éticos que norteiam (ou não) a profissão. Como não há um código que aborde esses princípios (impossível que exista um aplicável para todos), cada jornalista age conforme seus valores. É justamente nessa moral individual que reside um dos maiores perigos da ocorrência de equívocos.
De acordo com o pensamento de Bucci, a arrogância na prática do jornalismo é originada pela auto-suficiência que alguns profissionais atribuem a si mesmos. Eles estão literalmente acima do bem e do mal. Consideram-se aptos, por exemplo, a decidir o que fere ou não a reputação das pessoas e instituições. Além disso, evitam o assunto ética, considerado sem importância e fator de perda de tempo.
Quando, na verdade, mostra-se necessário que existam debates sobre o assunto entre os próprios jornalistas, sejam eles iniciantes ou experientes. Essa troca de experiências é importante para evitar erros futuros. Ainda mais quando erros crassos, como o da escola do casal Shimada (tema de uma das publicações anteriores), não são nenhuma novidade na grande imprensa brasileira.
POR Bruno Victor Toranzo
O jornalista Eugênio Bucci discute os meandros da profissão, com linguagem fácil e atraente, no livro “Sobre Ética e Imprensa”. Através de uma análise minuciosa da imprensa, o ex-presidente da Radiobrás, agência que opera as emissoras de rádio e televisão ligadas ao governo federal, evidencia os pecados e vícios comuns da atividade jornalística.
Esse conhecimento aprofundado da imprensa é de interesse da sociedade. O jornalismo só funciona se existir verdadeira interação entre os profissionais da área e a população. Aliás, a função de nós, jornalistas, é fiscalizar quem quer que seja, buscando sempre um ambiente de interação social mais justo e equilibrado.
Tal transparência costuma ser esquecida. É justamente nesse esquecimento que reside um dos principais pontos da obra. Bucci relembra a clássica divisão entre Igreja e Estado nas relações entre o campo publicitário e o universo jornalístico. Quando analisados somente do ponto de vista teórico, esses dois objetos são facilmente diferenciados. Porém, na vida real, não é bem assim que funciona.
O maior pecado de um veículo de comunicação é não separar essas duas áreas. A exemplo dos países modernos, com exceção de alguns orientais, os veículos devem se manter laicos. A credibilidade do veículo e a conseqüente fidelidade do leitor estão relacionadas com essa divisão bem clara. Sem interferência da publicidade no conteúdo jornalístico, o veículo sai ganhando até mesmo com o aumento das propagandas. Uma empresa só vinculará sua imagem se o veículo apresentar conceituado grau de respeitabilidade.
Outro ponto interessante da obra está nos princípios éticos que norteiam (ou não) a profissão. Como não há um código que aborde esses princípios (impossível que exista um aplicável para todos), cada jornalista age conforme seus valores. É justamente nessa moral individual que reside um dos maiores perigos da ocorrência de equívocos.
De acordo com o pensamento de Bucci, a arrogância na prática do jornalismo é originada pela auto-suficiência que alguns profissionais atribuem a si mesmos. Eles estão literalmente acima do bem e do mal. Consideram-se aptos, por exemplo, a decidir o que fere ou não a reputação das pessoas e instituições. Além disso, evitam o assunto ética, considerado sem importância e fator de perda de tempo.
Quando, na verdade, mostra-se necessário que existam debates sobre o assunto entre os próprios jornalistas, sejam eles iniciantes ou experientes. Essa troca de experiências é importante para evitar erros futuros. Ainda mais quando erros crassos, como o da escola do casal Shimada (tema de uma das publicações anteriores), não são nenhuma novidade na grande imprensa brasileira.