FMI divulga análise econômica
O FMI, Fundo Monetário Internacional, divulgou, nesta quarta-feira, extenso relatório que aborda a grave situação financeira internacional. Esse levantamento é divulgado a cada seis meses e descreve minuciosamente as condições econômicas do período.
Dessa vez, o enfoque ficou por conta, como não poderia deixar de ser, do cenário de instabilidade que vivemos, causado pela crise hipotecária norte-americana. Destaco alguns dos trechos do World Economic Outlook (April 2008):
“O que começou com justa deterioração, em partes do mercado subprime norte-americano, converteu-se em severos deslocamentos voltados para o enxugamento do crédito que agora colocam em risco o cenário macroeconômico dos Estados Unidos e do mundo”.
A projeção de crescimento médio das economias globais é de 3,7%, neste ano de 2008. Caso o crescimento fique abaixo dos 3%, esse índice indicaria uma realidade de recessão.
Essa crise internacional levou o montante de US$ 945 bilhões até março deste ano. Mais de 50% disso, o equivalente a US$ 565 bilhões, foram prejuízos ocasionados pelos empréstimos e seguros residenciais.
Os bancos perderam US$ 720 bilhões em valor de mercado. Ao mesmo tempo, as companhias de seguros tiveram desvalorização entre US$ 105 e US$ 130 bilhões.
“... em muitos países latino-americanos, maior parte do financiamento para o crescimento do crédito interno, nos últimos anos, veio da expansão do depósito doméstico (o mesmo que poupança)”.
“No Brasil, o desenvolvimento desse canal de crédito é evidente na expansão do dinheiro em circulação entre os bancos que se mantiveram estáveis, apesar do descontrole global”.
Os mercados emergentes estão respondendo bem, de forma consistente, à instabilidade do mercado. Porém, ainda existem vulnerabilidades macroeconômicas que os tornam susceptíveis aos malefícios da crise.
“Em muitos países emergentes, os programas de estabilização macroeconômica ajudaram e continuam ajudando a eliminar distorções e a reduzir desequilíbrios externos, fazendo com que o mercado doméstico fique menos vulnerável aos choques externos”.
“Países vulneráveis aos choques financeiros internacionais, com alto índice de inflação, precisam se ajustar à nova condição de aperto do sistema financeiro internacional. Para isso, devem adotar políticas para diminuir as repercussões domésticas dessa desordem financeira”.
Leia o relatório completo do FMI:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2008/01/weodata/index.aspx